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Como um grupo de entretenimento saiu dos silos e chegou a 85% das metas estratégicas em 9 meses

Quando uma empresa de entretenimento com múltiplas unidades de negócio (shows, carnavais, espaços de eventos, camarotes) cresce rápido, o problema não aparece no faturamento.
Ele aparece nas reuniões que não chegam a decisão.
Nos times que não sabem o que as outras áreas estão fazendo.
Nos gestores que passam mais tempo apagando incêndio do que pensando no próximo trimestre.

Foi exatamente esse o cenário que encontramos quando começamos a trabalhar com o maior grupo de entretenimento do Sul do Brasil.

O ponto de partida
A empresa tinha clareza de visão. O CEO sabia onde queria chegar. O problema estava na execução — cada unidade operava no seu próprio ritmo, com seus próprios critérios de sucesso, sem um fio condutor que conectasse o dia a dia às metas da organização.
A maturidade média dos processos no início do trabalho estava em 2,07 numa escala de 1 a 5. O NPS interno — a satisfação das próprias equipes com os processos da empresa — era negativo em algumas áreas. A margem bruta consolidada estava em 29%.
Não faltava vontade. Faltava estrutura.

O que fizemos

O trabalho começou com um diagnóstico honesto: entender onde estavam os silos reais, quais áreas tinham autonomia de decisão e quais dependiam de aprovação central para qualquer movimento. O resultado foi um mapa de dependências que deixou claro por que a velocidade da empresa estava travada.
A partir daí, estruturamos o primeiro ciclo de OKRs — não como burocracia de planejamento, mas como uma linguagem comum entre as áreas. Cada unidade de negócio passou a ter objetivos claros, indicadores definidos e uma cadência de acompanhamento quinzenal que mantinha o time conectado aos resultados sem precisar de reunião para tudo.
A diferença entre OKR como ferramenta e OKR como cultura é o acompanhamento. Um dashboard não muda comportamento. Conversas regulares, sim.

O que mudou

Nove meses depois do início do trabalho, os indicadores falavam por si:
Margem bruta: de 29% para 33%
A meta era 32,5%. Ultrapassamos. Não por milagre, mas porque as áreas passaram a tomar decisões de custo com clareza do impacto na margem — algo que antes não acontecia de forma consistente.
Maturidade de processos: de 2,07 para 2,96
Perto da meta de 3,07 para o ciclo. Processos que antes dependiam de uma pessoa específica foram documentados, distribuídos e passaram a rodar sem o gargalo de sempre.
NPS médio: subindo consistentemente em direção à meta de 70
Áreas que começaram com NPS negativo fecharam o ciclo com avaliações acima de 70. A satisfação interna é um indicador que as pessoas subestimam — até o dia que o time certo pede demissão.
85% das metas estratégicas atingidas no ciclo
Num grupo com tantas frentes simultâneas, isso representa uma mudança real de comportamento organizacional — não resultado de um mês bom.

O que realmente mudou

Os números são a consequência. O que realmente mudou foi o ritmo de decisão.
Antes, uma decisão que deveria ser tomada em nível de gestão subia para o CEO. O CEO, sobrecarregado, atrasava ou decidia sem contexto suficiente. O time esperava. O movimento travava.
Depois de alguns meses de trabalho, os gestores de cada unidade passavam a tomar decisões com clareza de quais indicadores estavam dentro do seu controle. O CEO ganhou tempo para pensar em estratégia — e parou de ser o gargalo operacional da empresa.
Essa é a mudança mais difícil de quantificar e a mais importante de provocar.

O que esse case ensina

Primeiro: o problema raramente é falta de estratégia. Esse grupo tinha visão, tinha liderança, tinha mercado. O que faltava era uma estrutura que conectasse a decisão do topo ao dia a dia das equipes.
Segundo: OKR sem acompanhamento é só planilha. A ferramenta não transforma — o comportamento transforma. E comportamento muda com presença, não com documento.
Terceiro: maturidade de processos não é burocracia. É o que permite que uma empresa cresça sem quebrar. Quando o processo depende de uma pessoa, você não tem processo — você tem uma dependência disfarçada de rotina.

Para refletir
Se você é CEO de uma empresa com mais de uma unidade de negócio ou mais de 50 pessoas, faça uma pergunta honesta para si mesmo:
As decisões que deveriam ser tomadas pelos meus gestores chegam até mim porque eles não têm autonomia — ou porque não têm clareza de critério?
A resposta define o tipo de problema que você tem. E o tipo de trabalho que precisa ser feito.

Ricardo Grzybowski

Líder do Plan to Win

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